Conferência sobre televisão digital terrestre - Sessões da manhã: Plataforma propicia uma ''Europa Digital literata''

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A Televisão Digital Terrestre está ainda a dar os primeiros passos na Europa. Até ao momento, apenas o Reino Unido e a Suécia iniciaram a implementação da plataforma de televisão digital. Foi neste contexto que se deslocou hoje a Lisboa David Levy, consultor da BBC para esta área, com o objectivo de transmitir a sua experiência aos congressistas presentes na Conferência Internacional sobre a Televisão Digital Terrestre, integrado num grupo de trabalho dedicado aos ''Modelos de Implementação e Objectivos de Interesse Público''.

Segundo o mesmo responsável, a plataforma digital vai ter um papel fundamental na ''criação de uma Europa digitalmente literata''. Até ao momento, apenas dez por cento da população britânica aderiu ao DVB-T. Uma parcela reduzida, defendeu, face aos quatro milhões de televisores anualmente vendidos naquele país. O ''verdadeiro desafio'' do momento, adiantou David Levy, consiste em explicar aos consumidores as grandes vantagens da adesão à tecnologia digital, para que "quando comprem um novo aparelho de TV, comprem digital".

O Governo britânico, de acordo com o mesmo orador, prevê que até 2003 metade da população do Reino Unido tenha cobertura digital e que esse valor ronde os cem por cento em 2010. Na próxima década, 95 por cento da população deverá aceder a equipamento digital a ''custos suportáveis'', de modo a que não sejam excluídas da Sociedade de Informação camadas mais vulneráveis da população, como os pobres ou os idosos.

Francisco Pinto Balsemão, presidente do Forum Europeu da Televisão e do Cinema, presente no mesmo grupo de trabalho, preconizou a necessidade de se encontrar ''uma data comum para o ''switch off'' em toda a União Europeia'', entendendo-se por ''switch off'' a cessação das transmissões analógicas e a consequente transição para o sistema digital. Tal deverá ocorrer até 2010.

O mesmo responsável mostrou-se particularmente preocupado com os custos do chamado ''simulcast'', a manutenção em simultâneo dos dois sistemas, até à transição definitiva para o digital, considerando ainda que ''poderão gerar-se perturbações concorrenciais no mercado''. Claudine Ripert-Landler, directora de Relações Exteriores e Assuntos de Regulamentação do Canal Plus, por seu turno, admitiu que ''o digital é já hoje uma realidade na Europa'', lembrando o importante contingente de europeus que actualmente acede já ao digital. Face à ''oferta generalista, gratuita e pública'' de canais televisivos, é necessário entender as expectativas dos consumidores, defendeu. A solução poderá passar pela ''oferta de canais temáticos gratuitos'', disse Ripert-Landler.

Portabilidade e mobilidade ''chegam'' à televisão

A Televisão Digital Terrestre (DVB-T) vai dotar a televisão de portabilidade e mobilidade, defendeu Fernando Cruz, especialista da Portugal Telecom nesta área. O mesmo responsável, que falava sobre os Aspectos Tecnológicos e de Mercado do DVB-T, na Conferência Internacional organizada conjuntamente pelo Instituto da Comunicação Social (ICS) e pelo Instituto das Comunicações de Portugal (ICP), no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia, referiu as limitações da televisão analógica, designadamente as interferências causadas pela sobrecarga do espectro, a fraca imunidade à propagação multitrajecto e a fraca capacidade de transmissão de dados. ''Utilizamos já a quase totalidade do espectro de frequências atribuídas à difusão de TV, com os actuais 49 canais'', afirmou.

Fernando Cruz frisou que o DVB-T não é a continuação da televisão analógica terrestre, mas sim um sistema completamente novo de radiodifusão, baseado em novos parâmetros físicos e em novas aplicações para o utilizador e para os operadores de televisão e de redes. Fernando Cruz lembrou a existência de três meios de distribuição da televisão digital: via satélite (DVB-S), cabo (DVB-C) e terrestre ou hertziana (DVB-T). O responsável da Portugal Telecom. defendeu que a difusão terrestre é a única que permite, ao mesmo tempo, uma recepção fixa, portátil e móvel da televisão digital. Salientou, além disso, que o DVB-T implica um aumento da produção de televisão, face ao acréscimo de capacidade de distribuição, o nascimento de novos serviços televisão (televisão interactiva, ''pay per view'') e de outros serviços como a distribuição da Internet e comércio electrónico.

Presente no grupo de trabalho dedicado Aspectos Tecnológicos e de Mercado do DVB-T, o inglês Nigel Laflin, da União Europeia de Radiodifusão (UER), explicou que a Televisão Digital Terrestre oferece a possibilidade de recepção ''sem sombras ou outras manchas e sempre com uma grande definição de imagem''. Nigel Laflin salientou a necessidade de a Televisão Digital Terrestre ser planificada ao nível europeu, para não haver uma perturbação da rede analógica.

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