Sem fios
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Autor: ANACOMTítulo: "Sem fios"
Publicação: 14.02.2011
URL: http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1072527
Consulta: 19.05.2013
Portugal tem sido um caso de sucesso em termos de penetração no que se refere às redes móveis 2G e 3G1. A banda larga móvel é fornecida principalmente através do UMTS e mais recentemente por HSPA em determinadas áreas, principalmente as de elevada densidade populacional, com débitos, partilhados numa célula, até 14 Mbps e 5,76 Mbps no sentido descendente e ascendente, respectivamente. Os operadores móveis nacionais já lançaram ofertas comerciais baseadas no HSPA+2, que permite débitos máximos, partilhados, até 43 Mbps e 11,5 Mbps no sentido descendente e ascendente, respectivamente.3
A indústria está a desenvolver a próxima geração, designada LTE. Esta tecnologia poderá permitir atingir débitos partilhados na ordem dos 100 Mbps4 no sentido descendente e 50 Mbps no sentido ascendente, registando-se já em 2010 as primeiras implementações5, ainda que exclusivamente com transmissão de dados.6
Outra tecnologia sem fios é o WiMAX Móvel7. Esta tecnologia, que tem tido apoios importantes ao nível de certos fabricantes de equipamentos surgiu com a promessa de possibilitar a instalação de redes de acesso em banda larga com custos mais reduzidos. No entanto, tem vindo a enfrentar alguns desafios eventualmente limitativos da sua introdução. Estes desafios devem-se sobretudo ao sucesso das redes móveis 3G e suas evoluções (HSPA) e à sua cobertura actual, que tem possibilitado a adesão e expansão de ofertas retalhistas de banda larga móvel que já fornecem soluções similares em termos de débitos.
As redes HSPA (3,5G) e, futuramente, LTE (4G) têm a vantagem de ser consideradas, por parte dos detentores de redes 2G ou 3G, como as sucessoras naturais das suas redes GSM8, o que facilita a sua adopção e massificação, permitindo assim a um cliente de um operador móvel ter acesso aos serviços de banda larga em qualquer parte do mundo (onde existam redes HSPA e/ou LTE). As novas redes WiMAX apresentam assim como desvantagens o terem de ser implementadas desde o inicio na sua totalidade, enquanto no caso do LTE o investimento, também por ser incremental, é mais reduzido, dado que pode ser mantida grande parte da infra-estrutura e dos sistemas existentes (nomeadamente ao nível da rede de comutação/core).
De acordo com a OCDE (2010) a questão de qual dos dois sistemas, LTE ou WiMAX, os operadores vão escolher, depende de vários factores, tais como: a) eficiência operacional (e.g. quais os recursos de espectro disponível); b) eficiência na evolução (e.g. mais fácil a migração a partir de um sistema já existente); c) capacidade de suportar a rede antiga (e.g. compatibilidade com o ambiente legado), e; d) economias de escala impulsionada por vendedores e pela aceitação no mercado global.
As tecnologias consideradas como Next Generation Mobile Networks - NGMN (e.g. suportadas em LTE ou WiMAX) vão permitir o funcionamento das redes móveis em all-IP.9 As NGMN diferem das redes móveis tradicionais pelos elevados débitos e menores latências e pelo facto de suportarem todo o tráfego exclusivamente através de protocolos orientados por pacotes (IP). A arquitectura por detrás das NGMN é a IP multimédia subsystem (IMS) que é uma norma do 3GPP (Third Generation Partnership Project) definida10 para redes UMTS/3G (mas também já com implementações também ao nível da rede fixa) e que já permite fornecer aos utilizadores finais uma diversidade de serviços (totalmente) via IP, independentemente do tipo de acesso.
Sem prejuízo de eventual concorrência com o LTE, o WiMAX pode vir a ser uma solução tecnológica alternativa para novos operadores de âmbito local ou regional que, de uma forma mais económica, possam vir a oferecer banda larga, uma vez que, em princípio, o custo associado ao espectro radioeléctrico será inferior ao do UMTS/LTE11 ou, especialmente, ao custo de desenvolver de raiz redes de acesso em fibra óptica (NGA).
Por outro lado, os operadores móveis que têm como objectivo a implementação destas tecnologias, estão a olhar atentamente para as frequências do dividendo digital12, dado que segundo certos especialistas do sector das comunicações, a cobertura da banda larga móvel utilizando a faixa dos 800 MHz terá um custo de cerca de 70% inferior à actual tecnologia móvel da 3.ª geração (UMTS), a qual utiliza frequências superiores.13
Nesse sentido, a CE adoptou, em 06.05.2010, uma decisão14 que estabelece regras harmonizadas para a utilização das frequências na faixa dos 790-862 MHz, através da qual pretende dar aos Estados-Membros da União Europeia (UE) directrizes sobre os usos a dar ao chamado dividendo digital, no tocante ao espectro em torno dos 800 MHz que ficará disponível com a passagem da radiodifusão televisiva analógica para a digital, com conclusão prevista para final de 2012. Actualmente, o espectro do 800MHz já foi adjudicado na Alemanha (Abril de 2010). Espera-se que na Irlanda, Noruega, Espanha, Suécia e França essa faixa espectral seja leiloada em 2011 e no Reino Unido15 em 2012.
1 De acordo com o "15th Report on the Implementation of the Telecommunications Regulatory Package – 2008", no final de 2009 Portugal estava na segunda posição a nível da UE no que se refere à taxa de penetração da banda larga móvel.
2 Release 8 do HSPA +.
3 A Vodafone começou a disponibilizar em Outubro de 2010 hoje acessos à internet com débitos descendentes de 43,2 Mbps e mensalidades de 49,99 euros.
4 Valores máximos para condições óptimas, dificilmente atingíveis actualmente em redes comerciais.
5 A TeliaSonera lançou no início de 2010 em Oslo e Estocolmo uma das primeiras redes LTE do mundo.
6 Actualmente estão a ser desenvolvidos esforços no sentido de ser implementado QoS nas redes LTE com vista a suportarem, entre outros serviços, voz.
7 Norma 802.16e.
8 Sistema Global para Comunicações Móveis.
9 Todas as comunicações vão ser baseadas em comutação de pacotes IP em vez de comutação de circuitos como na tradicional rede telefónica.
10 Em meados da presente década, com início em 2002: http://www.3gpp.org/ftp/Specs/html-info/23228.htm.
11 Isto é, ao custo das licenças UMTS, sendo exemplo disso o recente leilão de frequências BWA realizado pelo ICP-ANACOM, em que foram atribuídas duas licenças pelo valor de cerca de dois milhões de euros e de um milhão e duzentos mil euros.
12 Espectro adicional que se tornará disponível para novos serviços de Wireless, como resultado da transição da televisão analógica para a digital que já se iniciou e que se espera que esteja concluída até 2012.
13 IP/10/540http://europa.eu/rapid/pressReleasesAction.do?reference=IP/10/540&format=DOC&aged=1&language=PT&guiLanguage=en.
14 Decisão da Comissão (2010/267/UE), de 6.5.2010
http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=102510315 Draft Annual Plan 2011/12http://stakeholders.ofcom.org.uk/binaries/consultations/draftap1112/summary/ap201112.pdf.
Fibra Ótica: Cabo normalmente fabricado em fibra de vidro, constituído por um núcleo e uma bainha com índices de refração diferentes, com reduzida atenuação e dispersão, que permitem transportar sinais de luz a grandes distâncias. Por permitirem débitos na ordem dos 1.000.000.000 bits/s, este tipo de cabos têm sido utilizados nas duas últimas décadas em telecomunicações para transporte de sinais nas redes de interligação. Mais recentemente, começam a ser utilizados para acesso ao cliente final. Constituem a base das redes de acesso de nova geração.
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