Inovação é aposta para garantir futuro do sector postal

ANACOM promoveu a realização de uma mesa redonda para assinalar o dia mundial de correios, que se celebra anualmente a 9 de outubro. A inovação no sector postal foi o tema proposto para um debate em que participaram Olivier Establet, da Chronopost, Francisco de Lacerda, dos CTT; João Carlos Duarte, da Iberomail, e João Cadete de Matos, da ANACOM. Os trabalhos foram moderados por Rogério Carapuça, presidente da APDC.

Entre as principais ideias que saíram do debate está o reconhecimento de que o serviço de correio tem que continuar a dar resposta às necessidades das populações, assegurando simultaneamente a respetiva sustentabilidade. Importa, por isso, encontrar soluções que assegurem que o correio chega a todas as pessoas, onde quer que residam, obedecendo a padrões de qualidade. Aliás, essa é uma das missões da regulação: garantir padrões de qualidade do serviço postal universal, de modo a dar satisfação às necessidades das populações, e assegurar a viabilidade económico-financeira do serviço universal.

A inovação terá um papel importante pois importa encontrar soluções que permitam compatibilizar os vários interesses em presença: assegurar que as populações recebem o correio e ao mesmo tempo garantir que a prestação do serviço é economicamente viável. Soluções já tentadas noutros mercados, como a criação de caixas de correio comunitárias, podem ser uma solução para ultrapassar as dificuldades de assegurar a distribuição de correio porta a porta.

A concorrência será em si mesma uma condição para permitir reforçar a qualidade do serviço prestado, com melhores soluções para os consumidores, o que levanta a questão da necessidade de assegurar o acesso à rede postal.

No entanto, apesar de reconhecerem a importância de continuar a garantir a prestação do serviço de correio tradicional, todos os participantes foram unânimes em afirmar que o crescimento do sector no futuro passa pelo tráfego de encomendas. Um segmento que está em crescimento e que se espera venha a compensar a quebra do correio tradicional. Para isso, há que encontrar soluções inovadoras, quer do lado da entrega das encomendas, como no que respeita às devoluções. Sobretudo porque em Portugal ainda há uma larga margem de crescimento neste segmento. A grande explosão do tráfego de encomendas ainda está para acontecer.

Neste sentido, os operadores estão a posicionar-se: são criadas plataformas de comércio eletrónico, uma vez que existem cada vez mais retalhistas a apostarem nas vendas online; passarão a existir novas modalidades de entrega de encomendas, escolhidas pelos clientes, como sejam as entregas muito rápidas, feitas em poucas horas ou até em escassos minutos, feitas com recurso a veículos autónomos ou elétricos, além de se continuar a apostar em pontos pick up, que já são comuns.

A importância dos sistemas big data também foi destacada pelos intervenientes na mesa redonda. Reconhecem que existe um vasto conjunto de informação que pode ser tratada e que permite a criação de soluções personalizadas. Foi igualmente realçada a relevância de os operadores postais criarem aplicações que permitam aos clientes poderem acompanhar o percurso feito pelas encomendas.

 Mesa redonda sobre ''Inovação no sector postal'', Lisboa, 09.10.2018

Da esquerda para a direita: Rogério Carapuça, Presidente da APDC; Olivier Establet, CEO da Chronopost; Francisco de Lacerda, Presidente da Comissão Executiva dos CTT - Correios de Portugal; João Carlos Duarte, Administrador da Iberomail; João Cadete de Matos, Presidente do Conselho de Administração da ANACOM.