Serviços móveis - 1.º semestre de 2020



Sumário executivo

Penetração dos serviços móveis com utilização efetiva atingiu os 117 por 100 habitantes

No final do primeiro semestre de 2020, a penetração do serviço móvel ascendeu a 164 por 100 habitantes. Caso fossem apenas considerados os acessos móveis com utilização efetiva1 (excluindo M2M2), a taxa de penetração em Portugal seria de 117. Por outro lado, se se excluíssem os acessos afetos exclusivamente a serviços de dados e acesso à Internet (cartões associados a PC/tablet/pen/router), a penetração dos serviços móveis seria de 112 por 100 habitantes.

A penetração de acessos móveis comercializados em pacote com serviços prestados em local fixo foi de 45,4 por 100 habitantes (pacotes convergentes).

Número de utilizadores diminuiu 1,9% nos últimos 12 meses

O número de acessos móveis habilitados a utilizar o serviço3 totalizou 16,9 milhões. Destes, 12 milhões (71,4% do total) foram efetivamente utilizados. Excluindo o número de acessos afetos a PC/tablet/pen/router, o número de acessos móveis ascendeu a 11,5 milhões.

O número de assinantes que efetivamente utilizaram o serviço diminuiu 236 mil assinantes (-1,9%), em comparação com o mesmo semestre do ano anterior. A evolução verificada é explicada pela evolução dos planos pré-pagos (-10,6% nos últimos 12 meses), que estão em queda desde 2013, e que representam agora 38,4% do total de acessos efetivamente utilizados. Os planos pós-pagos e híbridos4 (+4,4% nos últimos 12 meses), mantiveram a tendência de crescimento que se tem verificado desde 2012. Esta tendência está associada ao continuado aumento da penetração dos pacotes que integram o serviço telefónico móvel.

Máximo histórico do tráfego de voz por acesso e da duração média das chamadas devido ao impacto da COVID-19

O tráfego de voz móvel aumentou 17% face ao 1S2019, em termos de minutos. A evolução ocorrida no tráfego de voz em minutos foi influenciada pela COVID-19. Por exemplo, na semana em que foi declarado o estado de emergência (16 a 22 de março), o tráfego de voz móvel em minutos aumentou 39% face à semana anterior à declaração de pandemia (2 a 8 de março).

As alterações dos padrões de consumo decorrentes do impacto da COVID-19 resultaram num crescimento excecional do tráfego médio por acesso móvel e da duração média das chamadas, que atingiram máximos históricos. O número de minutos de conversação por acesso de voz móvel no 1S2020 foi, em média, de 238 por mês, mais 36 minutos (+17,9%) que em igual período do ano anterior. A duração média das chamadas foi de 203 segundos por chamada, mais 41 segundos (+25,4%) que em igual período do ano anterior e o valor mais alto registado até à data.

Por tipo de chamada, o elevado crescimento verificado no tráfego de voz em minutos foi sobretudo resultado do aumento do tráfego off-net (+24,9%) e on-net (+12,5%). Registaram-se igualmente aumentos significativos no tráfego móvel-fixo (+20,0%), e com destino a números curtos e não geográficos (+20,3%). O tráfego com destino a redes internacionais diminuiu 14,6% face a igual período do ano anterior.

Penetração da Internet móvel foi de 76,4 por 100 habitantes

O número de utilizadores efetivos do serviço móvel de acesso à Internet fixou-se em 7,9 milhões (+0,9% que em igual período do ano anterior), continuando a tendência de desaceleração que se iniciou em 2017. Este valor corresponde a uma penetração de cerca de 76,4 por 100 habitantes (+0,5 p.p. do que no 1S2019). Este crescimento está associado ao aumento dos utilizadores de Internet no telemóvel (+1%, face ao 1S2019).

Tráfego de Internet móvel aumentou 33,9% e tráfego médio mensal chegou aos 4,5 GB/mês

O tráfego de acesso à Internet em banda larga móvel (BLM) aumentou 33,9% face ao 1S2019, impactado pelos efeitos da COVID-19.

O tráfego médio mensal por utilizador ativo de Internet móvel aumentou 28,9% face ao período homólogo. Cada utilizador de banda larga móvel consumiu, em média, 4,5 GB por mês. Recorde-se que os prestadores de maior dimensão ofereceram aos seus clientes 10 GB de dados móveis no início do período em que vigorou o estado de emergência. O tráfego médio mensal gerado através de PC/tablet/pen/router atingiu os 20,3 GB (+50,2%).

Acessos Machine-to-machine (M2M) aumentaram 3,5%

No final do 1S2020 contabilizaram-se cerca de 1,2 milhões de acessos móveis ativos afetos a M2M, um aumento de 3,5% em relação ao período homólogo.

Decréscimo significativo no tráfego em roaming internacional em resultado das restrições impostas às viagens internacionais

O tráfego de roaming registou decréscimos em todos os tipos de tráfego face a igual período do ano anterior, destacando-se o tráfego de Internet (-27,5% no caso do roaming in e -7,2% no caso do roaming out), que registou, pela primeira vez desde o início da recolha deste indicador (em 2010), taxas de crescimento negativas face ao trimestre homólogo.

A queda registada em todos os tipos de tráfego de roaming in e roaming out resultou da quebra de viagens internacionais decorrentes da situação de pandemia.

Neste semestre, a balança comercial de roaming (i.e. tráfego roaming in – tráfego de roaming out) foi deficitária no caso do tráfego em minutos, tal como tem vindo a ocorrer nos últimos cinco anos (com exceção de 2017). O grau de cobertura do tráfego em minutos de roaming in por roaming out foi de 74,3%. Pelo contrário, no caso do acesso à Internet, o tráfego em roaming in é substancialmente mais elevado que o tráfego em roaming out ( No 1S2020, o volume de tráfego em roaming in foi 2,1 vezes superior ao tráfego em roaming out).

Quotas dos prestadores

A MEO foi o prestador com a quota mais elevada dos acessos móveis ativos com utilização efetiva (41,0%), seguida da Vodafone (30,1%) e da NOS (26,2%). Face ao período homólogo, a quota de acessos móveis da NOS aumentou em 1,2 p.p., tendo a quota da MEO e da Vodafone diminuído 1,2 p.p. e 0,1 p.p., respetivamente. O nível de concentração, medido pelo índice Herfindahl-Hirschman, apesar de elevado, diminuiu ligeiramente face ao mesmo período do ano anterior, tal como vem acontecendo desde 2012.

No caso das quotas de subscritores de acesso à Internet em banda móvel, a quota da MEO foi de 38,3%, seguindo-se a Vodafone com 29,9% e a NOS com 29,6%. No 1S2020 a quota da NOS aumentou 1,0 p.p. e as quotas de subscritores da MEO e da Vodafone diminuíram 1,0 p.p. e 0,5 p.p., respetivamente.

A NOS detém a quota mais elevada de tráfego de Internet em banda larga (46,2%), seguida da MEO e da Vodafone (27,1% e 26,3%, respetivamente). Face ao ano anterior, a quota da NOS aumentou 5,2 p.p. As quotas da Vodafone e da MEO diminuíram 4,1 p.p. e 1,2 p.p., respetivamente.

Resumo gráfico: Serviços móveis - 1.º semestre de 2020

 

Notas
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1 Acessos móveis ativos, incluindo por exemplo, planos de assinatura, planos de minutos, planos de mensalidades convertíveis em tráfego, etc., que se encontram habilitados a utilizar um dos serviços contratados e que efetivamente utilizaram um dos serviços contratados no período de reporte.
2 As aplicações M2M recorrem às redes móveis e à Internet para operar, monitorizar e interligar máquinas e equipamentos (i.e., telealarme, telesegurança, telemetria, etc…). Estão associadas à designada Internet das coisas.
3 Os acessos móveis ativos encontram-se habilitados a usar os serviços, mas podem não ter sido utilizados.
4 Os planos híbridos são planos tarifários que apresentam, simultaneamente, características de plano pós-pago e pré-pago. Estes planos incluem um plafond de tráfego em regime pós-pago. No entanto, o tráfego extra-plafond é tarifado em regime pré-pago.