Pandemia COVID-19 - Impacto na utilização dos serviços de comunicações



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Sumário executivo

Tráfego de comunicações eletrónicas aumentou na sequência da pandemia da COVID-19

O tráfego de voz e de dados aumentou significativamente na semana em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia da COVID-19 (11.03.2020), tendo atingido máximos históricos na semana em que entrou em vigor o Estado de Emergência em Portugal (19.03.2020). Nas semanas seguintes, o tráfego iniciou uma trajetória descendente. No que se refere ao tráfego de voz, este regressou a níveis pré-COVID19 em agosto, tendo voltado a crescer de forma sustentada a partir do mês de setembro na sequência da declaração dos Estados de Contingência, Calamidade e de Emergência. O tráfego de dados (em especial de dados fixos) retomou uma trajetória ascendente a partir do mês de julho atingindo novos máximos históricos no mês de dezembro, nas semanas em que ocorreram feriados e tolerâncias de ponto (06.12.2020 e 13.12.2020).

Tráfego médio por acesso aumentou: 36% nos dados fixos, 22% na voz fixa e 12% na voz móvel devido ao efeito da COVID-19

O crescimento do tráfego resultou da alteração dos comportamentos de consumo resultantes da pandemia. Em 2020:

  • o tráfego médio de voz móvel por acesso cresceu 16,4% em comparação com o ano anterior. Estima-se que devido ao efeito da COVID-19, este tipo de tráfego tenha aumentado 11,9% face à tendência histórica (15,9% no 2T2020, 7,2% no 3T2020 e 12,8% no 4T2020). Caso não tivesse ocorrido a pandemia, estima-se que o crescimento teria sido de 6,0% face a 2019.
  • o crescimento anual do tráfego médio de voz fixa por acesso foi de 7,0%. Estima-se que a COVID-19, tenha provocado um aumento de 22,2% em comparação com a tendência histórica (12,6% no 1T2020, 30,4% no 2T2020, 20,1% no 3T2020 e 27,5% no 4T2020). Caso não tivesse ocorrido a pandemia, estima-se que este tráfego teria diminuído 12,2% em comparação com o ano anterior.
  • o tráfego médio de dados fixos por acesso aumentou 55,0% em comparação com o ano anterior. Estima-se que devido ao efeito da pandemia da COVID-19 este tráfego tenha tido um incremento de 36,3% face à tendência histórica (43,4% no 2T2020, 25,8% no 3T2020 e 40,2% no 4T2020). Caso não tivesse ocorrido a pandemia, estima-se que o crescimento teria sido de 19,3% em comparação com 20191.

Como se poderá verificar, em 2020 o impacto ocorrido no 2.º trimestre foi superior ao verificado nos restantes trimestres do ano, seguindo-se o crescimento verificado no 4.º trimestre.

O tráfego de dados móveis, que representa cerca de 5% do total de tráfego de dados, cresceu durante o período de Verão, tal como historicamente vem acontecendo. Este crescimento coincidiu com o período de Estado de Alerta.

As alterações dos hábitos de consumo resultantes da COVID-19 acentuaram a diminuição do tráfego de SMS, que já estava em queda devido ao aparecimento de formas de comunicação alternativas.

De referir ainda que, nas semanas em que ocorreram feriados em dias úteis, o tráfego de voz fixa e móvel diminuiu 8%, em média. Durante o mês de agosto diminuiu 9%.

Acessos em local fixo eventualmente influenciados pela COVID-19 nalguns segmentos

O número total de acessos em local fixo não aparenta ter sido afetado pela pandemia. No entanto, em determinados segmentos, identificaram-se eventuais efeitos das medidas excecionais e extraordinárias. Destaca-se:

  • a desaceleração da tendência de queda do número de assinantes do serviço de distribuição de sinais de TV por subscrição suportados em satélite (DTH) e ADSL;
  • o aumento da percentagem de famílias com uma ligação à Internet em casa, que passou de 80,9% em 2019 para 84,5% em 2020, o que representou o maior incremento anual desde 2016.

Acessos móveis pós-pagos não residenciais e utilizadores de Internet móvel diminuíram por efeito da COVID-19

No caso dos acessos móveis, o número de acessos móveis pós-pagos e híbridos registou uma ligeira diminuição nas primeiras seis semanas do período de pandemia. Esta diminuição foi mais acentuada no segmento não residencial. Posteriormente, os acessos móveis não residenciais diminuíram também durante o mês de agosto, embora de forma menos acentuada.

No caso dos utilizadores de Internet móvel registou-se um decréscimo em 2020, contrariando a tendência de crescimento que se vinha a verificar nos últimos anos. Estima-se que, por efeito da pandemia, o número de utilizadores de Internet móvel tenha diminuído 4,2% em 2020.

Chamadas pela Internet aumentaram

De acordo com o INE, a utilização de serviços digitais (over-the-top - OTT) aumentou de forma significativa em 2020, em resultado da pandemia de COVID-19. Destaca-se o aumento da percentagem de indivíduos que utilizaram a Internet para telefonar ou fazer chamadas de vídeo nos últimos três meses, que passou de 52,5% em 2019 para 70,5% em 2020, um crescimento de 18 p.p.

A comunicação na área da educação através de um website (30,8%), a utilização da TV pela Internet (43,4%) e o envio de instant messaging (89,9%) foram outros dos serviços OTT com maior crescimento.

COVID-19 provocou a queda do tráfego postal total, com um efeito diferenciado em correspondências e encomendas 

O tráfego de serviços postais diminuiu 12,4% face ao ano anterior. Estima-se que a pandemia tenha tido um efeito negativo de 9,8% no tráfego total dos serviços postais durante o ano de 2020. Caso não tivesse ocorrido a pandemia, estima-se que o tráfego postal teria descido 2,9%.

No caso do tráfego de correspondências registou-se uma diminuição de 15,3% em 2020 (em 2019 tinham diminuído 7,5%) e no caso do tráfego de encomendas registou-se um aumento de 20,0% em 2020, superior ao registado em 2019 (+14,1%).

O crescimento do tráfego de encomendas também terá estado associado ao confinamento da população nas suas residências. Com efeito, o comércio eletrónico sofreu o maior aumento dos últimos anos, de acordo com o INE, reflexo do confinamento da população e do encerramento de estabelecimentos comerciais. As circunstâncias decorrentes da pandemia COVID-19 poderão ter tido igualmente reflexos estruturais, no sentido da alteração de hábitos de consumo. Em 2020, cerca de 45% dos indivíduos referiu ter utilizado o comércio eletrónico nos últimos 12 meses (+5,8 p.p. que em 2019), enquanto 35,2% afirmaram tê-lo feito nos últimos 3 meses (+7 p.p. que em 2019), o maior aumento desde que se dispõe desta informação.

Pandemia COVID-19 - Impacto na utilização dos serviços de comunicações


 

Efeitos da pandemia COVID-19 na utilização das comunicações

Notas
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1 O efeito da COVID-19 não pode ser obtido por diferença entre a variação realmente ocorrida em 2020, por um lado, e a estimativa do valor da variação ocorrida caso não tivesse ocorrido a pandemia, por outro lado. De facto, estes valores são calculados como variações em relação a 2019, enquanto a estimativa do efeito da COVID-19 é uma variação face ao que teria ocorrido em 2020 caso não tivesse havido pandemia.