ANACOM debate com autarcas de Castelo Branco a qualidade das comunicações nesta região


A ANACOM esteve na Câmara Municipal (CM) de Castelo Branco para fazer a apresentação dos resultados de um estudo levado a cabo por esta Autoridadehttps://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1724706, para aferir a qualidade das redes móveis da MEO, NOS e Vodafone, na perspetiva dos utilizadores. Na sessão, que decorreu no dia 1 de julho de 2022, foram ainda referidas as perspetivas de desenvolvimento do sector das telecomunicações, tanto ao nível das redes fixas como móveis. Estiveram presentes, o Presidente da CM de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, o Vice-presidente, Hélder Henriques, outros membros do executivo camarário, além dos presidentes das juntas de freguesia do concelho.

Na sessão, os diretores da ANACOM, Ilda Matos e Luís Roque Pedro, fizeram apresentações sobre os resultados do estudo que verificou a qualidade das redes móveis na perspetiva dos utilizadores, realizado no concelho entre os dias 13 a 15 e 20 a 21 de junho de 2022, e sobre as áreas brancas e as redes de elevada capacidade no concelho.

Além de debaterem os resultados constantes das apresentações, os autarcas enunciaram as dificuldades com que se debatem, decorrentes da falta de cobertura das redes móveis e fixas no concelho, identificando as zonas onde se registam os maiores problemas. Enfatizaram os fortes impactos que a deficiente cobertura do concelho tem, tanto ao nível da voz como dos dados, na capacidade de captação de investimento e de fixação das populações. Alguns autarcas, deram ainda conta dos graves atrasos existentes na distribuição postal e da degradação da qualidade do serviço postal.

Na sessão, em resposta às preocupações dos autarcas, o Presidente da ANACOM, João Cadete de Matos, explicou as mudanças que são esperadas no sector, que poderão trazer uma alteração significativa à situação das telecomunicações em Portugal, sobretudo nos concelhos e freguesias com maiores défices de cobertura. Referiu, nomeadamente, as obrigações de cobertura que decorrem das regras do leilão do 5G, de acordo com as quais 75% da população das freguesias de baixa densidade tem de ter acesso à Internet a uma velocidade de 100 Mbps no final de 2023, valor que sobe para 90% em 2025. No que respeita às redes fixas de elevada capacidade, referiu o trabalho que a ANACOM está a fazer com o Governo, com vista ao lançamento, ainda este ano, de um concurso público internacional para selecionar a empresa que instalará fibra ótica nas zonas onde ela ainda não existe, de modo a que todos os alojamentos possam ficar cobertos.

João Cadete de Matos esclareceu ainda que, no imediato, a única forma de conseguir ter um serviço de dados onde não existem redes fixas ou móveis, é recorrer aos serviços de Internet que utilizam constelações de satélites de baixa altitude e que já estão disponíveis em Portugal.

Apresentação dos resultados do estudo de qualidade de serviço em Castelo Branco

Foram percorridos pela equipa da ANACOM cerca de 654 quilómetros, tendo sido realizadas 1911 chamadas de voz, 457 testes de velocidade da ligação à Internet e cerca de 153 mil registos de sinal rádio, entre os dias 13 a 15 e 20 a 21 de junho de 2022, no Concelho de Castelo Branco.

Neste estudo foram analisados os principais indicadores de qualidade, tendo em conta a perspetiva do utilizador e os serviços objeto de estudo:

  • cobertura das redes – disponibilidade das redes radioelétricas 2G, 3G, 4G e 5G (sinal de rede);
  • serviço de voz – acessibilidade do serviço telefónico móvel;
  • serviços de dados – acesso ao serviço de Internet móvel.

Principais resultados dos testes realizados pela ANACOM

Os resultados mostram que:

  • do total de medidas efetuadas por cada operador, registou-se a indicação de rede existente em 94,9% medições da NOS, 94,5% da Vodafone e 94,1% da MEO;
  • a qualidade da cobertura radioelétrica dos sistemas de comunicações móveis foi classificada em 6 níveis: “Inexistente”, "Muito Má”, “Má”, “Aceitável”, Boa” e “Muito Boa”, em função do nível de sinal recebido no dispositivo móvel. Agregando os registos de qualidade “Inexistente”, "Muito Má” e “Má”; estes perfazem um total de 52% na Vodafone, 32,8% na NOS, e 24,9% na MEO;
  • no serviço de voz, os resultados apurados relativamente à acessibilidade (estabelecimento de chamada com sucesso) foram de 92,5% para a NOS, 90,7% para a MEO e 87,1% para a Vodafone;
  • o rácio de terminação bem-sucedida de chamadas (as que se concretizaram e se concluíram com sucesso) foi de 91,5% para a NOS, 89,5% para a MEO e 86,7% para a Vodafone;
  • As taxas de sucesso de testes NET.medehttps://netmede.pt/ (testes iniciados e concluídos) foram de 68,4% para a NOS, de 56,2% para a MEO, e de 53,3% para a Vodafone;
  • as velocidades médias de transferência de dados em download e upload foram, respetivamente, 77 e 8 Mbps na MEO, 41 e 9 Mbps na Vodafone e 33 e 9 Mbps na NOS, sendo de destacar a existência de grande variação dos valores observados, fortemente dependente dos locais onde foram realizados os testes. Quanto à latência verificaram-se valores entre 30 e 60 ms, em 81,2% dos testes da NOS, em 80,2% na MEO e em 70,2% dos testes na Vodafone.

Na figura seguinte é indicada a classificação do desempenho global dos operadores para cada serviço:

 Na figura é indicada a classificação do desempenho dos operadores para cada serviço.

Caso já existissem acordos de roaming nacional em Portugal (permitindo que os clientes de qualquer um dos operadores se pudesse conectar à antena de outro operador quando a qualidade de sinal do seu operador não fosse aceitável), teríamos uma cobertura agregada de mais qualidade no concelho de Castelo Branco, como é evidenciado na figura abaixo.

 Qualidade de sinal no concelho de Castelo Branco
Cobertura móvel agregada - contribuição de todos os operadores caso existisse roaming nacional

 ANACOM debate com autarcas de Castelo Branco a qualidade das comunicações nesta região
Autarcas presentes na sessão de Castelo Branco a 01.07.2022