Serviços móveis - 1.º trimestre de 2020



Esta informação é propriedade de ANACOM

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Sumário executivo

Penetração dos serviços móveis com utilização efetiva atingiu os 119,2 por 100 habitantes

No final do primeiro trimestre de 2020, a penetração do serviço móvel ascendeu a 168 por 100 habitantes. Caso sejam apenas considerados os acessos móveis com utilização efetiva1 (excluindo M2M2), a taxa de penetração em Portugal seria de 119,2. Por outro lado, se se excluíssem os acessos afetos exclusivamente a serviços de dados e acesso à Internet (cartões associados a PC/tablet/pen/router), a penetração dos serviços móveis seria de 114,3 por 100 habitantes.

A penetração de acessos móveis comercializados em pacote com serviços prestados em local fixo foi de 45 por 100 habitantes.

Número de utilizadores aumentou 0,1% nos últimos 12 meses

O número de acessos móveis habilitados a utilizar o serviço3 totalizou 17,3 milhões.

Destes, 12,2 milhões (70,9% do total), foram efetivamente utilizadas. Desde 2012, que não se regista um crescimento significativo do número destes assinantes.

Excluindo o número de acessos afetos a PC/tablet/pen/router, o número de acessos móveis ascendeu a 11,7 milhões.

O número de assinantes que efetivamente utilizaram o serviço aumentou 0,1% (15 mil assinantes), em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. A evolução verificada é explicada pela evolução dos planos pós-pagos e híbridos4 (+5,4% no último ano), que continuaram a evidenciar uma tendência de crescimento, enquanto que os planos pré-pagos estão em queda, representando agora 39,6% do total (-3 pontos percentuais do que no período homólogo).

Devido ao impacto da COVID-19 verificou-se um significativo crescimento do tráfego mensal por acesso e da duração média das chamadas, que atingiu um máximo histórico

O tráfego de voz móvel aumentou 11,9% face ao 1T2019, em termos de minutos. A evolução ocorrida no tráfego de voz em minutos foi influenciada pela COVID-19. Por exemplo, na semana em que foi declarado o estado de emergência (16 a 22 de março), o tráfego de voz móvel em minutos aumentou 39% face à semana anterior à declaração de pandemia (2 a 8 de março).

As alterações dos padrões de consumo decorrentes do impacto da COVID-19 resultaram num crescimento excecional do tráfego médio por acesso móvel e da duração média das chamadas. O número de minutos de conversação por acesso de voz móvel no 1T2020 foi, em média, de 223 por mês, mais 23,1 minutos (+11,6%) que em igual período do ano anterior. A duração média das chamadas foi de 184 segundos por chamada, mais vinte segundos (+12,4%) que em igual período do ano anterior e o valor mais alto registado até à data.

Por tipo de chamada, o elevado crescimento verificado no tráfego de voz em minutos foi sobretudo resultado do aumento do tráfego off-net (+16,9%) e on-net (+8,4%). O tráfego com destino a redes internacionais, que tinha vindo a subir há 14 trimestres consecutivos, diminuiu 0,1% face a igual período do ano anterior.

Penetração da Internet móvel foi de 78,3 por 100 habitantes

O número de utilizadores efetivos do serviço móvel de acesso à Internet fixou-se em 8 milhões (+5,4% que em igual período do ano anterior), continuando a tendência de desaceleração que se iniciou em 2017. Este valor corresponde a uma penetração de cerca de 78,3 por 100 habitantes (+4 pontos percentuais do que no 1T2019). Este crescimento está associado ao aumento dos utilizadores de Internet no telemóvel (+5,8%, face a 1T2019).

O impacto da COVID-19 contribuiu igualmente para o crescimento do tráfego de Internet móvel, que aumentou 41,3%, e do tráfego médio mensal que chegou aos 4,3 GB/mês

O tráfego de acesso à Internet em banda larga móvel aumentou 41,3% face ao 1.º trimestre de 2019, impactado pelos efeitos da COVID-19. Estima-se que, nas primeiras quatro semanas do estado de emergência, o tráfego de dados móveis tenha crescido cerca de 8,5%, em termos médios.

O tráfego mensal por utilizador ativo de Internet móvel aumentou 31,4% face ao período homólogo. Cada utilizador de BLM consumiu em média 4,3 GB por mês. Recorde-se que os prestadores de maior dimensão ofereceram aos seus clientes 10 GB de dados móveis no início do período em que vigorou o estado de emergência.

Acessos Machine-to-machine (M2M) aumentaram 5,9%

No final do 1T2020 contabilizaram-se cerca de 1,2 milhões de acessos móveis ativos afetos a M2M, um aumento de 5,9% em relação ao período homólogo.

Crescimento significativo do tráfego de acesso à Internet em roaming internacional

Com exceção do número de mensagens escritas e chamadas em roaming out, o tráfego de roaming registou aumentos em todos os tipos de tráfego face a igual período do ano anterior, com destaque para o tráfego de Internet (+41,3% no caso do roaming in 5 e 39,7% no caso do roaming out 6).

O número de chamadas em roaming out registou, pela primeira vez desde a recolha deste indicador, uma diminuição face ao trimestre homólogo (-6,2%). A queda do número de chamadas em roaming out, e a eventual evolução mais moderada dos indicadores de roaming em comparação com períodos anteriores, terá sido impactada pelas restrições impostas às viagens internacionais decorrentes da situação de pandemia.

O grau de cobertura do tráfego em minutos de roaming in por roaming out foi de 77,9%. Nos últimos 5 anos a balança de roaming (roaming in – roaming out) foi superavitária apenas em 2017. Pelo contrário, no caso do acesso à Internet, o tráfego em roaming in é substancialmente mais elevado que o tráfego em roaming out. No 1T2020, o volume de tráfego em roaming in foi 2,3 vezes superior ao tráfego em roaming out.

Quotas dos prestadores

A MEO foi o prestador com a quota mais elevada dos acessos móveis ativos com utilização efetiva (41,5%), seguida da Vodafone (30,1%) e da NOS (25,8%). Face ao período homólogo, a quota de acessos móveis da NOS aumentou em 0,9 p.p., tendo a quota da MEO e da Vodafone diminuído em 1 p.p. e 0,1 p.p., respetivamente. O nível de concentração, medido pelo índice Herfindahl-Hirschman, apesar de elevado, diminuiu ligeiramente face ao mesmo período do ano anterior, tal como vem acontecendo desde 2012.

No caso das quotas de subscritores de acesso à Internet em banda móvel, a quota da MEO foi de 37,4%, seguindo-se a NOS com 31,2% e a Vodafone com 29,2%. No 1T2020 a NOS tornou-se no segundo maior prestador de Internet móvel, tendo a sua quota aumentado 2,6 p.p., enquanto que as quotas da Vodafone e a MEO diminuíram 1,6 p.p. e 1,5 p.p., respetivamente.

A NOS detém quota mais elevada de tráfego de Internet em banda larga (45,5%), seguida da MEO e da Vodafone (27,4% e 26,6%, respetivamente). Face a igual período do ano anterior, a quota da NOS aumentou 5 p.p. As quotas da Vodafone e da MEO diminuíram 4,4 p.p. e 0,7 p.p., respetivamente.

Resumo gráfico: Serviços móveis - 1T2020

Notas
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1 Acessos móveis ativos, incluindo por exemplo, planos de assinatura, planos de minutos, planos de mensalidades convertíveis em tráfego, etc., que se encontram habilitados a utilizar um dos serviços contratados e que efetivamente utilizaram um dos serviços contratados no período de reporte.
2 As aplicações M2M recorrem às redes móveis e à Internet para operar, monitorizar e interligar máquinas e equipamentos (i.e., telealarme, telesegurança, telemetria, etc…). Estão associadas à designada Internet das coisas.
3 Os acessos móveis ativos encontram-se habilitados a usar os serviços, mas podem não ter sido utilizados.
4 Os planos híbridos são planos tarifários que apresentam, simultaneamente, características de plano pós-pago e pré-pago. Estes planos incluem um plafond de tráfego em regime pós-pago. No entanto, o tráfego extra-plafond é tarifado em regime pré-pago.
5 O tráfego de roaming in é o tráfego cursado (originado e terminado) nas redes nacionais por assinantes de redes estrangeiras.
6 O tráfego roaming out é o tráfego gerado e terminado por assinantes dos operadores nacionais enquanto utilizadores de redes de outros operadores no estrangeiro.